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Comunitários contribuem para conservação de quelônios amazônicos

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, possui grandes aliados para a conservação de sua biodiversidade. Os moradores dessa região trabalham pela proteção das áreas, evitando a invasão e exploração ilegal dos recursos naturais. O aparecimento das praias, no início da estação seca na região, indica também o começo da temporada reprodutiva de algumas espécies de tartarugas fluviais amazônicas. Por meio de uma escala de revezamento, os comunitários vigiam as praias durante o dia e a noite, contribuindo para a conservação dessas espécies.

“Eles vivem na área da Reserva e em contato direto com esses animais. É muito importante termos esse retorno dos comunitários, porque além de auxiliar na conservação das espécies, pode nos ajudar a obter informações cientificas. Por exemplo, quantas fêmeas estão desovando em cada área”, contou Ana Júlia Lenz, pesquisadora do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Atualmente, são 12 comunidades atuantes na Reserva Mamirauá e três na Reserva Amanã. Seis dessas comunidades paralisaram as atividades de proteção das áreas de desova por longo período e retornaram ao trabalho este ano. Além de vigiar as áreas, diminuindo a pressão da caça sobre as espécies, os comunitários também percorrem as praias e registram em relatório a quantidade de ninhos ou fêmeas desovando avistados. Os dados coletados pelos moradores ajudam na composição da série histórica, do monitoramento populacional, mantida pelo Instituto.

A equipe do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios, realizado pelo Instituto Mamirauá, estuda a ecologia reprodutiva de três espécies de quelônios da região do Médio Solimões: a iaçá (Podocnemis sextuberculata), o tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa).

Também é feito o monitoramento populacional de iaçás há vinte anos pela equipe do Instituto Mamirauá. Durante esse período, já foram capturados e avaliados mais de sete mil indivíduos.  Os dados estão sendo analisados pela equipe para chegar aos resultados de estimativa e viabilidade populacional da espécie.

Ana Júlia também reforça que “além de contribuir para a conservação das espécies de quelônios, as praias protegidas pelos comunitários beneficiam uma série de outros animais, como as aves de praia que também constroem seus ninhos nas mesmas áreas que os quelônios, e muitas espécies de peixes que vivem nas proximidades e se beneficiam do fato de não ser permitida a pesca nestas áreas”.

Dois alunos do Centro Vocacional Tecnológico do Instituto Mamirauá estão trabalhando a conservação comunitária de quelônios como tema central dos seus projetos de conclusão de curso. E o trabalho já está dando resultado. O envolvimento dos alunos com as comunidades e o incentivo à conservação das áreas de desova fez com que novas comunidades aderissem à proteção das praias. Os alunos Fabricio Faustino de Castro e Sandro dos Santos Ferreira continuam o encaminhamento da parte prática do trabalho nas comunidades, e defendem seus projetos no final do ano para uma banca examinadora.

* Matéria assinada por Amanda Lelis e publicada no site do Instituto Mamirauá em 29/09/2015

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