ARPA

O maior programa de conservação de florestas tropicais do planeta.

Reserva Extrativista Ituxi (AM) é exemplo de produtividade

UC faz manejo de castanha, copaíba, pirarucu e madeira

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

A Reserva Extrativista (Resex) Ituxi, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Lábrea (AM), distribui-se por 18 comunidades, envolvendo atividades sustentáveis conduzidas por 123 famílias.

Somente dentro da reserva, são 523 pessoas que, juntamente com a gestão do ICMBio, têm avançado na condução de uma série de atividades produtivas, promovidas pelas comunidades tradicionais.

Entre os produtos explorados de forma sustentável, estão a castanha-do-Brasil, o óleo de copaíba e o pirarucu. A unidade desenvolve ainda o Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) que iniciou as atividades no dia 4 de setembro.

O volume a ser explorado na primeira Unidade de Produção Anual (UPA), segundo a Autorização de Exploração (Autex), pode chegar a 440,26 metros cúbicos de madeira serrada. O trabalho é conduzido em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro, a empresa Tramity Business to Governament e o Instituto Floresta Tropical (IFT), com sede no Pará.

Conselho deliberativo

A reserva conta com conselho deliberativo constituído e atuante. “Recentemente trabalhamos o plano de ação do conselho de forma participativa e fizemos a revisão do acordo gestão da reserva”, disse Joedson da Silva Quintino, chefe da Resex Ituxi.

Situada na região do chamado arco do desmatamento, na porção sul do Amazonas, a Resex sofre com as pressões relacionadas ao desmatamento. “Estamos combatendo qualquer avanço desordenado ou qualquer tentativa de retirada de madeira de dentro da reserva”, explica Quintino.

Para isso, o gestor, que é o único lotado na reserva, conta com apoio de outras unidades de conservação circunvizinhas, localizadas na mesma área de influência, como o Parque Nacional Mapinguari, Floresta Nacional do Iquiri e Reserva Extrativista Médio Purus. “Para as ações de fiscalização contamos com esses esforços, somados”, reitera o chefe.

Na luta pela regularização fundiária, a reserva tem dialogado com outras instituições como o Conselho Nacional das Populações Tradicionais (CNS), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e órgãos estadual e federais que atuam na área. Esse trabalho é mediado pelo Ministério Público Federal (MPF).

O diálogo já rende frutos, a exemplo dos quatro lotes vendidos por meio do mecanismo da compensação de reserva legal. “E a associação tem encaminhado documentos para o Instituto de Terras do estado para emissão dos certificados de Concessão de Direitos Reais de Uso (CCDRU)”, frisa Quintino.

Os certificados legalizam a permanência dos moradores em áreas do interior da Resex e permitem que eles possam usufruir dos recursos naturais e desenvolver suas atividades produtivas sem risco de serem expulsos da terra.

Educação ambiental

A reserva registra avanços na área de educação ambiental. Juntamente com o projeto Pé de Picha, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o gestor da unidade vem promovendo a capacitação de professores.

A Resex é alvo de pesquisas científicas em flora, fauna e modo de vida tradicional da comunidade. No momento, segundo o chefe, não há nenhum pesquisador atuando no interior da reserva, mas todos são bem-vindos.

“Deixo aberto o convite para que os pesquisadores, em especial das universidades locais, venham estudar esse berço de biodiversidade amazônica”, convida Quintino.

No momento, a reserva está concluindo o seu Plano de Manejo. Já foram compridas algumas etapas, como o levantamento das famílias que moram na UC e o diagnostico ambiental. “Falta agora terminar o diagnóstico socioambiental para fechar o plano de manejo da UC”, comemora o gestor.

Sobre o Projeto Pé de Picha

O Pé-de-Pincha é um programa de extensão universitária que visa conservar as populações de quelônios (animais com casco) por meio do manejo participativo, envolvendo ribeirinhos, produtores, professores e alunos. O trabalho é feito por meio de educação ambiental em 118 comunidades do Baixo Amazonas e Juruá.

Em 16 anos de trabalho, o Projeto, que tem o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, já devolveu à natureza mais 3 milhões filhotes de quelônios – tracajás (Podocnemis unifilis), tartarugas-da-Amazônia (P. expansa), iaçá ou pitiu (P.sextuberculata), irapuca ou calalumã (P. erytrocephala) e cabeçudo (Peltocephalus dumerilianus). Após a soltura, os animais são monitorados pelos pesquisadores.

Os animais devolvidos a natureza em 2014, no Médio Rio Amazonas, Madeira, Negro, e nos municípios de Nhamundá, Barcelos, Itacoatiara, Parintins, Barreirinha, Maués, Careiro da Varzea, Borba, Canutama, Novo Airão, Carauari/AM e Terra Santa, Juriti e Oriximiná/PA, por exemplo, são monitorados via Rádio VHS, satélite e microchip. O objetivo é entender a dinâmica dos quelêonios em seu ecossistema.

* Matéria assinada por Sandra Tavares e publicada no site do ICMBio em 23/09/2015

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